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| A DIRECÇÃO DO SANGUE |
| Teatro |
| Primeira ocorrência registada: |
| // 19 de Março de 2008 |
| // Teatro Taborda |
| // (Lisboa) |
| // Não gratuito |
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| Clicke num dos dias a cor-de-rosa, para ver mais detalhes. | |
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| // A DIRECÇÃO DO SANGUE |
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| CATEGORIA(S) | | | Teatro | | |
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| DESCRIÇÃO | | | É vital oferecer outros tempos de percepção da realidade. A direcção do sangue é uma viagem que se faz através do movimento - das substâncias e do corpo humano -, processando-se através de uma linguagem que não fala de maneira articulada, mas elabora-se e escreve-se plasticamente a partir dos materiais em cena, pelo som, pela imagem, pela palavra e o movimento dos corpos, orgânicos e não orgânicos.
A relação entre a máquina e o Homem é de uma dependência extrema, o que acarreta diversos perigos. Mas será um problema ou será a evolução de um novo tipo de Homem que está a eclodir por dentro da tecnologia? Vivemos um estado de perigo em que o ser humano, dominado pela Rede e pela técnica, deixa de ter barreiras racionais ou subjectivas nesta realidade construída, dia após dia, por ele. Deixa de saber o que é a realidade, se está vivo ou não, ou se não passa simplesmente de uma máquina.
A direcção do sangue é um manifesto a favor dos instintos, da intuição, da comunicação com o interior, reclamando um tempo e uma beleza singular. Os gestos, associados a corpos banais, estão ligados a máquinas, e jogam na consonância e dissonância com a sensualidade dos gestos da arte barroca, vendo-se substituídos por movimentos mecanicistas, acções reflexas, involuntárias e respostas convulsivas. Movimentos involuntariamente expressivos, fisicamente mais pequenos, mais condensados, mais rígidos, mais violentos. Reflectem os seus conflitos interiores, as suas ânsias e o desejo de um futuro que se vê enublado. Ou sou eu à procura de um futuro que desconheço.
O desejo de encontrar o lugar e o tempo certos para exercer uma actividade, é uma vontade enquanto jovem artista que tem uma caminhada a fazer. Mas A direcção do sangue cria um universo novo, uma ficção que se aproxima ao íntimo de cada espectador. Jorge Luís Borges perguntava “Quem sonhará o indecifrável futuro?”. E eu penso que, à minha maneira, posso não decifrar mas sonhar um futuro que tem as suas raízes no nosso presente. Mas este sonho pode parecer um pesadelo. O pesadelo de quem se dá conta de que a natureza nos escapa cada vez mais. E de que também nos escapamos a nós próprios.
A direcção do sangue é uma reflexão pessoal sobre o estado actual do homem e da arte, e das suas relações visíveis e invisíveis. Questiona a estranheza e a pertinência dos gestos e das acções. É uma reflexão que joga com a transfiguração do real, abordando um ser pós-humano. Discorrem daí ligações novas e perturbadoras: entre o homem e as máquina, entre o homem e os objectos e entre o homem e as imagens, em que a presença de corpos estrangeiros da cena teatral (corpos novos, do real, e descontextualizados do seu universo social e artístico) questiona a veracidade e a ilusão artísticas.
O espectáculo poderá assemelhar-se ao curso de um rio, numa planície que desce para o mar, mas neste mar todo o seu conteúdo se vai perdendo, torna-se irreconhecível, não existe mais. É como se uma representação se afogasse. O gesto nu e a sua evaporação.
John Romão | | |
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| TELEFONE | | | 21 885 41 90 | | |
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| E-MAIL | | | raquelpaz@teatrodagaragem.com | | |
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| WEBSITE | | | http://www.teatrodagaragem.com | | |
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| DIVULGADOR | | | Teatro da Garagem | | |
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