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OBRAS DOS DIAS CONSEGUIDOS | PARTE 1
Exposição
Última ocorrência:
// 31 de Maio de 2008
// Quase Galeria
// Porto
// Gratuito
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 // OBRAS DOS DIAS CONSEGUIDOS | PARTE 1
DESCRIÇÃOFalava acerca dos dias conseguidos. E, daí surgiu a consciência de obras conseguidas em acepções semânticas complementares: as obras/ideias/actos
conseguidos dos artistas presentes a esta exposição e as obras/acções conseguidas pelo Espaço T. Assim, a primeira mostra, de uma programação
que se inaugura para esta Galeria, assumiu a paráfrase livre e construiu-se sob auspícios do Ensaio sobre o dia conseguido de Peter Handke. Não
desmerecendo pertinência, confesse-se, quanto se consolida a ideia se associada ao alerta lúcido e ironista de Antonio Tabucchi Si sta facendo
sempre piu tarde. Então, melhor não adiar e conseguir obras e dias e ideias…
“[contemporary art practice is about] learning to inhabit the world in a better way, instead of
trying to construct it based on a preconceived idea of historical evolution…the role of artworks
is no longer to form imaginary and utopian realities, but to actually be ways of living and
models of action within the existing real, whatever the scale chosen by the artist.”
(Nicolas Bourriaud, 2002)
Um dos fundamentos que sustentam a arte da contemporaneidade resulta da plena aceitação da diversidade de opções estéticas e artísticas que
os artistas/autores concebem, integram e dirigem.
Existem medidas de distância, argumentos de proximidades e as, sempre citadas, afinidades electivas.
Não estaremos capacitados – na maior amplitude semântica da ideia - para a apropriação intermedial de conceitos senão através da vontade
expressa nas palavras dos próprios artistas. No demais, são extensões do nosso pensamento – devidamente formatado - através/mediante a recepção
visual, auditiva, enfim, a recepção estética das obras que esses mesmos autores nos permitem confrontar. Somos confrontados por, estamos perante,
evidenciando-se e suscitados os nossos sentidos e pensamento naquela maior cumplicidade que se queira e/ou decida.
Porque, também e sempre, se trata de uma tese/caso de existência, de resolver através do questionamento, o que sejam as condições de existência
do humano que tão compulsivamente nos atinge, tornando sempre actual o anúncio/denúncia de André Malraux. As obras - entendam-se as ideias
- dos artistas hoje, promovem as nossas deambulações, as nossas reflexões, expandem-se para além de nós próprios. Não (exclusivamente, porque
também) num sentido egóico, narcisista, mas enquanto todos somos reflectores de comunidades onde nos integramos ou estamos, promovendo a
expansão do singular e pessoalizado para além de contornos imediatos e mensuráveis.
Os 5 autores possuem como denominador comum uma muito particular forma de tomarem o espaço, quanto os seus respectivos trabalhos lhe
possam, ou não, ser a priori destinados, ou seja, quando se não trate ou trate de um site specific. Certo é que as obras ganham sempre o espaço,
tornando-se constantemente outras, consoante as disposições de montagem, as coordenadas arquitecturais que as rodeiam ou a determinação
dos demais trabalhos no conjunto dos quais se organizam. Tal não significa que se contaminem ou deixem perverter as suas identidades. Assegurase
sempre a singularidade de facto/produto dialogando sempre e em prol de maior assunção de diferencialidade e especificidade. Tratar-se-á, antes
e mormente, de propiciar casos efectivos e singulares, em termos de recepção, para o público.
Assim, procurei flexibilizar o espaço através das obras dos autores escolhidos, afirmando-lhe uma acepção de o tornar visível, quanto diferenciado,
dúctil (simultaneamente em permanência), sem que tal lhe signifique descaracterização; esta, é uma das ideias que dirige a programação a concretizar,
durante o presente ano, para a Quase-Galeria.
Assim, atenda-se, por um lado, aos seguintes princípios/accionadores de foro mais subjectivista:
å Pluralidade da intencionalidade e do conceptual versus particularidades imago/áudio, argumentativas (implícitas) que se mostram
na exposição;
å Linguagens específicas configuradoras de ideias que, por sua vez, subjazem à produção autoral – num sentido mais lato do que seja
a obra de cada um dos artistas;
Por outro lado, evidenciem-se, numa perspectiva objectivadora:
å Actos de preservação/registo, de conservação e de expansibilidade susceptíveis de serem gerados – respeitando a terminologia
fenomenológica – pois partindo de sujeitos (criadores), congregados em obras (realizações) e, depois, abertos e aderentes a outros sujeitos (público);
å Manifestações visuais e sonoras que, movidas pelo autor, atingem cada um de nós, retornando ao autor, “enriquecidas” por essa
contemplação inominada, fruto do contacto estético e, consequentemente impulsionador e memorial.
Pois, não se esqueça, recordando Edward T.Hall, quanto o espaço e o tempo nos conduzem pela existência - movimentos internos e externos - própria
e pessoal tanto quanto adstrita à comunidade, permitindo-nos o reconhecimento de matrizes culturais e, assim, viabilizando a partilha, compreensão
e/ou controvérsia. Pela via da imagem e do som, a consciência percepcional dos nossos contornos atravessa o espaço e o tempo, adquirindo nova
lucidez e progredindo para uma maior definição da substância, axiologia e hermenêutica na contemporaneidade (leia-se = hoje, agora…quanto
abstracto seja o conceito, mascarado de certeza…)
DEBORA SANTIAGO
“O som não precisa de sonoridade, pode ser arbitrário, mesmo algo que seja somente ruído, essencial é que eu consiga tornar-me, uma vez na vida,
todo ouvidos para ele.”
(Peter Handke, Ensaio sobre o dia conseguido, Lisboa, Difel, 1994, p. 30)
Actuando através de diferentes registos, meios e estratégias (performance, vídeo, desenho/instalação…), a morfologia do redondo recolhe a unidade
da sua produção. Quase sob auspícios bachelardianos, na peça vídeo “Baião”, as baquetas coloridas encarnam a fenomenologia que serve a noção
de completude poética, abrindo, mais ainda, caminho para a recuperação da memorialidade cosmológica onde ecoa essa variante humanizada da
“música das esferas” (quanto a queriam os pitagóricos…) A captação “cinematográfica” da constituição e decomposição, em quase sobreposição,
dos movimentos perdura numa perceptibilidade temporalizada que exponencializa os termos sonoros, ampliando toda cumplicidade dos sentidos
superiores – como lhes chamou Leonardo…
CATARINA MACHADO
“Não tenho qualquer concepção acerca do dia conseguido, qualquer coisa que seja. Existe tão só a ideia e isto leva-me quase a duvidar que possa
trazer à luz um contorno reconhecível, fazer transparecer um modelo, salientar o rasto luminoso, tal como ansiava ao princípio, narrar o meu dia.”
(Idem, ibidem, p.21).
A arquitectura como paragem do espaço no tempo pode engendrar movimento. A variedade dos movimentos humanos correspondem a uma infinita
capacidade de os definir e sistematizar. Quando não se encontram sistematizados em correspondência a uma funcionalidade ou razão, adquirem
condição de “informalizados”. As morfologias gráficas no espaço da matéria captam profundidade consoante as zonas preenchidas pela cor e a
abertura dos vazios que conferem uma outra especificidade à parede que lhes serve de fundo, de cenário. As determinações gráficas correspondem
não somente a decisões da artista, quanto (talvez até mais) à deliberação estética de aceder a novas percepções visuais, potencializadas pela inscrição
arquitectural.
PEDRO SARAIVA
“O dia conseguido é, pois, para ti, completamente diverso de um dia tranquilo, de um dia de sorte, de um preenchido, de um dia activo, de um que
só a custo se suportou, de um transfigurado pela lonjura do passado – um pormenor bastante aqui e um dia inteiro eleva-se em glória -, também
de um qualquer Dia Grande para a ciência, a tua pátria, o nosso povo, os povos da Terra, a Humanidade?” (Idem, ibidem, p.11)
“Gabinete Codina”, cuja versão adaptada ao espaço aqui se reinventa, resulta de uma investigação estética desenvolvida pelo artista, na sequência,
aliás, de um outro processo intitulado “Gabinete Linares”. Trata-se de uma espécie de inventário visual interposto, na sequência de duas ordens de
apropriação revertidas na assunção singular do artista na sua leitura caminhante da vida e actos de António Codina, através de desenhos detalhados
e da maior minúcia e virtuosismo, glosando a memória singular/arquetípica para o pensamento visual do espectador actual. O desenho como metalinguagem.
Por outro lado, as unidades-desenho adquirem uma dimensão de todo, onde os ritmos gráficos são susceptíveis de reinvenção instalada,
assim decidida pelo autor em conformidade arquitectural. É relicário, presume-se, inscrição de visões projectadas partindo da natureza observada:
é palimpsesto e bem filosófico.
VASCO BARATA
“Não, a ideia, ela resiste à minha ânsia de narrar. Não me apresenta qualquer imagem como pretexto. E, apesar disso, era concreta, mais concreta
do que anteriormente qualquer imagem ou concepção, todos os sentidos do corpo dispersos concentrados por ela em energia. Ideia significava:
não existia imagem, só luz.” (Idem, ibidem, p.21)
As fotografias tornam-se imagens fotográficas que escalam as paredes, contornam as características da sala e avançam de volta para os conteúdos
iconográficos e de escrita que as caracterizam. Cada uma das unidades de “The Film Séries” remete para o que fosse o imaginário do autor,
devidamente estendido pela realidade, aparente e visibilizada, dos alvos captados. Todavia, essa realidade articulada às frases – que não são legendas
– vai assumindo identidades pela via hermenêutica mas igualmente percepcional/visual, resolvendo dicotomias mais do que as provocando. A
objectividade, a clareza morfológica dos elementos/objectos constantes na imagem fotográfica corresponde à precisão linguística das frases; uma
e outra, se confrontam, apropriando-se num movimento que comunga para dentro e para fora, assumindo reversibilidade quando cativada pelo
espectador/leitor. Não se esqueça Hans Belting e sua “Antrepologia da Imagem”…
YONAMINE
“A tonalidade para a viagem total pelo dia mostra-se-me, enquanto, escutando, procuro um som.” (Idem, ibidem, p.29)
Acredite-se que nas viagens nos modificamos ou permanecemos à medida que os kms são possuídos ou nos possuem. Cada medição do espaço se
transforma, sobretudo, em assunção consciente de tempo, através de uma velocidade para o movimento que talvez seja decisão própria. Uma das
estratégias para cumprir a viagem – destinada ou sim – será o som que nos engole. Seja o som das vozes do sujeito sozinho da viagem, sejam os
passageiros que galopam frases ou pensamentos, sejam os auto-radios, mp3 ou qualquer outro meio de sugar o silêncio. A ilusão, sensação ou
conhecimento do espaço percorrido, assemelha-se à inoperante conquista do som que jamais persiste, antes de desfaz e se regenera em variantes
organizadas ou imprevistas. A recriação para os espectadores e ouvintes da viagem propicia-nos a errância e a efabulação mais do que a viagem
intencionalizada, com rumo determinado, no caso do vídeo “Rádio Cabinda”. A persistência da imagem, em suas alternâncias rítmicas, coaduna-se
à persistência do som, em suas alternâncias imagéticas e, assim, se transpõem quer a experiência, quer a fronteira.
“Mas os teus olhos proclamam
Que tudo é superfície. A superfície é o que aí está
E nada pode existir excepto o que aí está.”
(John Ashbery, Auto-retrato num espelho convexo e outros poemas, Lisboa, Relógio d’Água,
1995, p.167)
Somos espectadores quanto somos leitores de imagens. Público é isso mesmo. Acerca e quando se desenvolvem discursos sobre as imagens, avisou
Hans Belting, frequentemente se chega a indefinições: “Alguns [discursos] parecem circular sem corpo, como nem sequer o fazem as imagens das
ideias e da lembrança que, efectivamente, ocupam o nosso próprio corpo.” (Antropologia de la Imagen, Madrid, Katz Editores, 2007, p.13)
As imagens, às quais atendemos, pertencem a uma tipologia muito particular. São ensimesmamentos, convergências de conteúdos (metáfora de
corpo/obra) resolutamente seleccionados que se formatam e admitem enquanto obras de arte. Independentemente de suas correspondentes
especificidades, as peças expostas suscitam, como é suposto, o surgimento, a organização de ideias sobre as ideias que as tenham motivado, dando
concretização à sua existência autónoma. Nessa perspectiva, poder-se-ia contrariar, dizendo que tendem à definição – metáfora e materialização
de corpo/obra . Todavia, tal definição, não significa a conquista singular concluída, terminal, antes luta em concordância com a pluralidade que se
coaduna à justeza e legitimidade aberta de quem (e do que) dispõe os discursos. E a demanda ou a assunção de definição pode não significar que
os seus conteúdos reflexivos ou argumentativos disponham à definição discursiva – em sua pureza significante, numa espécie de meta-sentido
sobre as imagens.
Assim, os discursos sobre as imagens dependem, a meu ver, quase exclusivamente, de seus próprios conteúdos e substâncias. Salvaguardando a
pluralidade de natureza e funcionalidade efectivas, podem aproximar-nos das ideias-coisas que são as obras, no caso desta exposição. Pois, se poderá
até antepor discursos tendentes a indefinições, proporcionadores de rasgos, vestígios e marcas sem fechamentos.
Argumentar-se-ia que, por si mesmas, as obras são discursos decorrentes do pensamento, de construção poiética/estética dos respectivos produtores.
Os dados sonoros são reconhecíveis pois existe o silêncio. O silêncio “é o intervalo necessário para as modulações das conversas, a respiração do
significado; mas não é uma expressão simplesmente formal…” (David le Breton, El silencio, Madrid, Sequitor, 2006, p. 55), pois possui em si conteúdos
insuspeitos e plolissémicos. As sonoridades revelam-se no fraseado mais ou menos sistematizado ou, então, dominantemente, visceral. Imagem,
som (ou silêncio) são questões culturais, recorde-se. Tanta diversidade nas imagens sonoras quanto nas imagens ditas visuais. E, na cumplicidade
entre imagem e som, existe ambiguidade, leia-se, aquela indefinição que surge das definições impulsionadoras para a gestação das peças e sugere
atenção a tudo aquilo que rodeia a arte, que dela é indissociável, more and more - a vida.
“O facto de um acontecimento se ter passado, realmente passado, não é susceptível de ser posto em
questão. (…) Sob este ponto de vista, o passado torna-se uma fortaleza invencível.” (Étienne Klein, O
tempo, de Galileu a Einstein, Casal de Cambra, Caleidoscópio, 2007, p.76)
As obras conseguidas são, portanto, como acontecimentos do mundo, tornando-se substâncias seguras.
Mª de Fátima Lambert
Março 2008
LOCALQuase Galeria
MORADARua do Vilar, 54/54A
DISTRITOPorto
E-MAILdci@espacot.pt
WEBSITEhttp://www.espacot.pt
HORARIO10:00
CUSTOGratuito
DIVULGADORLeonel Morais
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