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«VERBA VOLANT? ORALIDADE, ESCRITA E MEMÓ...
Palestra e Outra
Última ocorrência:
// 15 de Novembro de 2014
// Universidade Católica - Faculdade de Filosofia
// Braga
// Não gratuito
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 // «VERBA VOLANT? ORALIDADE, ESCRITA E MEMÓRIA»
DESCRIÇÃOCONGRESSO INTERNACIONAL «VERBA VOLANT? ORALIDADE, ESCRITA E MEMÓRIA»
Faculdade de Filosofia de Braga - 13 a 15 de Novembro de 2014

É inquestionável a centralidade da palavra no contexto das ciências humanas. Através da palavra, o homem distingue-se dos seres irracionais, assimila e recria o mundo, e comunica(-se) pessoalmente entre iguais. A palavra apresenta-se, pois, como o espelho mais fiel do humano, a um tempo segredo e desvelamento, que permite ao homem abandonar-se ao outro e avizinhar-se do absoluto e do sublime. Desde as origens da Literatura Ocidental, articularam-se duas mundividências distintas e complementares, por um lado, o mythos, e, por outro, o logos, de alguma forma veiculadas respectivamente através da poesia e da prosa. A Grécia Antiga, berço da civilização ocidental, foi a fonte primordial de ambas: primeiro, surgiu a poesia, ágrafa, de transmissão oral, que apresentava à memória os exemplos universais e a intuição mítica das origens; depois, na senda da fixação escrita, surgiu a prosa, mais propícia à reflexão lógica, com potencialidades quase infinitas na grande revolução do racionalismo ático. A memória, na base da poesia oral, constituía em simultâneo um mecanismo de criação e de recriação colectiva; a escrita inaugurou, depois, um momento antropológico integrador, que veio corrigir o processo falível de transmissão oral e oferecer um produto individualizado, na imutabilidade duradoura da letra gravada.

O debate sobre a oralidade ou o carácter escrito das primeiras obras da Grécia Antiga é o mais generalizado de todos os que ocorrem em torno da literariedade. O florescimento extraordinário da reflexão filosófica na Atenas clássica revelou-se ambivalente; enquanto se potenciou a importância obsessiva da palavra, sobretudo escrita, também se evidenciaram os seus perigos. Ésquilo lembrou, no Prometeu Agrilhoado (459 sqq.), como a escrita, permitindo aos homens conservarem a memória de todas as coisas, foi uma das dádivas que os libertou da escravidão e os aproximou da divindade. No entanto, Platão, reagindo ao vício relativista dos sofistas de separar a palavra da verdade, apontou no Fedro (Sobre a Beleza) a escrita como uma ameaça à memória, ao evocar a fábula mítica egípcia da sua invenção: «Ela [a escrita] tornará os homens mais esquecidos, pois que, sabendo escrever, deixarão de exercitar a memória, confiando apenas nas escrituras [...]» (275a).

Capturada pelo fascínio do mundo grego, Roma foi acima de tudo a transmissora desse legado ambivalente. Durante séculos, cultura literária foi sinónimo de imitação e adaptação dos modelos clássicos: quando o Renascimento correspondeu ao esforço de revocare ad fontes, a obsessão pela palavra genuína, deturpada por séculos de alegada escuridão, culminou em fenómenos como o do ciceronianismo; também até ao Romantismo o peso dos modelos quase sempre superou o valor do ingenium. A palavra das línguas nacionais passou depois a ser vista como a mais autêntica representação da identidade dos novos povos, sem, todavia, perder de vista a herança clássica, nomeadamente na sua busca da beleza. Por seu lado, as Religiões — desde as suas formas mais ancestrais até aos grandes monoteísmos — articulam extraordinariamente bem a palavra, a oralidade e a escrita, através dos seus mitos, oráculos/profecias, livros sagrados e rituais. Bastará recordar que, no judeo-cristianismo, Deus cria todas as coisas pronunciando a sua Palavra (Dabar/Logos/Verbum); Palavra que chama Abraão a uma nova terra e a uma Aliança; Aliança antiga que, para os cristãos, será suplantada pela Nova Aliança, em Jesus Cristo: «Et Verbum caro factum est»: «A Palavra fez-Se carne». A Palavra é agora Boa Notícia
(Evangelho) que salva, e deverá ser levada ao mundo inteiro. Anunciar, oralmente ou por escrito, fazer memória e actualizar o mistério, seja pela relação com Deus, seja com o próximo — «ouvir a Palavra de Deus e pô-la em prática» — eis a síntese do Cristianismo.

Também na especulação filosófica a palavra ocupa um lugar central, desde os seus inícios helénicos. Perscrutar racionalmente o ser das coisas significa dizer (légein) o logos que elas encerram. As discussões sobre a (im)possibilidade de acesso à verdade e de a dizer atravessarão os séculos até ao presente. O último século conheceu, relativamente aos temas da oralidade, da escrita e da memória, importantes desenvolvimentos, com notáveis contributos de quase todos os grandes pensadores e correntes filosóficas, desde a fenomenologia ao existencialismo, da hermenêutica à filosofia analítica, do estruturalismo ao pósmodernismo. Bastará relembrar algumas das noções e temas que conheceram grande divulgação: relação e distinção «langue-parole» (F. de Saussure), «giro linguístico» (L. Wittgenstein), «círculo hermenêutico» (H.-G. Gadamer), «teoria dos actos de fala» (J.L. Austin e J. Searle), «racionalidade comunicativa» (J. Habermas), «(meta-)narrativas» (J.-F. Lyotard) e «arqui-escrita» (J. Derrida). Além dos nomes citados, importa ainda mencionar: M. Heidegger, R. Barthes, E. Benveniste, J. Jakobson, P. Ricoeur e U. Eco. No mundo das Artes, o fio de continuidade entre «as palavras e as coisas» (Foucault) está hoje sob suspeita, ameaçado pela sedução estética da imagem. A (i)legibilidade do mundo pós-moderno decorre cada vez mais das imagens que se erguem dos destroços das palavras, e das palavras destroçadas. A imagem virtual afirma-se como novo alimento da significação e da experiência, do desejo e do prazer — de uma racionalidade estética, bifurcada não pelos ancestrais mythos e logos, mas pelos múltiplos sentires (Perniola). É dela enfim, quase «última palavra» (Thomas Nagel), que se aguarda agora a redenção. Na sequência de iniciativas anteriores, e produto do mesmo desejo de aprofundar uma reflexão crítica estimulante sobre a permanência e repercussão da herança da Antiguidade Clássica na Cultura Ocidental de todos os tempos, o Centro de Estudos Filosóficos e Humanísticos da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa, em Braga, está a organizar, no âmbito da Linha de Investigação de Estudos de Literatura e Cultura, o Congresso Internacional «Verba Volant? Oralidade, Escrita e Memória».

O Congresso, a realizar-se entre 13 e 15 de Novembro do corrente ano, na Faculdade de Filosofia, tem por tema fundamental a centralidade da palavra na vivência e na memória dos homens. Ao articular três núcleos temáticos essenciais (a oralidade, a escrita e a memória), esta iniciativa pretende fomentar uma abordagem interdisciplinar de vários âmbitos de investigação das Ciências Humanas.
LOCALUniversidade Católica - Faculdade de Filosofia
MORADAFaculdade de Filosofia
Universidade Católica Portuguesa

Largo da Faculdade
4710-297 Braga
DISTRITOBraga
TELEFONET.   [+351] 253 208
E-MAILsecretaria.facfil@braga.ucp.pt
WEBSITEhttp://braga-ucp.com/congressoverbavolant/index.html
HORARIO13 a 15 de Novembro de 2014
CUSTOInscrições:

> De 25 de Junho a 31 de Julho
Geral: 160 Euros
Estudantes graduados*: 110 Euros
Estudantes não graduados e colaboradores institucionais do Centro Regional de Braga da UCP*: 60 Euros

> A partir de 1 de Agosto
Geral: 200 Euros
Estudantes graduados*: 150 Euros
Estudantes não graduados e colaboradores institucionais do Centro Regional de Braga da UCP*: 100 Euros

* Mediante a apresentação de um comprovativo documental
DIVULGADORCarlos Morais
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